Geada Negra de 1975

Geada Negra



Geada Negra de 1975:

Impossível nos esquecermos da geada negra que se formou sobre Chavantes e região no dia 18 de julho de 1975 e destruiu a agricultura de São Paulo e norte do Paraná. Durante o dia, o frio era tão intenso que abrir a porta da nossa casa era um sacrifício. E durante a noite, ela se formou.
Mas o que é a Geada Negra? Não se trata apenas de uma geada resultante do congelamento do orvalho ou da unidade do ar. É uma condição atmosférica que provoca o congelamento interno da seiva da planta. Devido ao frio intenso, a planta fica escura, queimada e morre. As condições para a formação fenômeno ocorrem quando o ar é extremamente frio e também extremamente seco e o vento tem uma intensidade de moderada a forte. 
No dia seguinte, todos puderam ver sua conseqüência. Nosso belo cafezal estava escuro, queimado, quase sem folhas.
E, a partir daí, a quase total erradicação dos cafezais começou o ocorrer. Nossas terras foram tomadas por outras plantações, os colonos desaparecem, a economia sofreu um golpe profundo. Logo depois a cana de açúcar surgiu para dominar a paisagem. O bóia fria e sua dura jornada, (substituindo os colonos) passam a fazer parte do nosso cotidiano. As queimadas se sucederam e nosso céu de tornou sombrio envolvido pela negra fumaça. O barulho do fogo, queimando o canavial era assustador. Durante muitos anos, esta foi a realidade da região tomada pela cultura da cana: fumaça, fuligem, sujeira e problemas respiratórios. Até que aos poucos leis foram se impondo e hoje, felizmente, poucas são as queimadas.  


Imagens da geada negra de 1975

Veja abaixo, o relatório de um historiador sobre a geada negra no norte do Paraná. A mesma descrição vale para nós.
“Em 18 de Julho de 1975, ocorria a Geada Negra, que erradicou a cafeicultura no Estado do Paraná. Naquela ocasião muitos não tiveram discernimento da amplitude dos problemas causados e das conseqüências que seriam geradas por esta geada, talvez ainda hoje muitos ainda não tenham essa compreensão.
Revistas e jornais daqueles dias mostram o frio europeu que atingiu o sul do Brasil. Em Curitiba ainda se relembra e comemora a neve daquela ocasião. No norte, onde o café era a principal atividade econômica, o frio intenso assumiu ares de tragédia, não sobrou espaço lembranças alegres. Haviam ocorrido geadas fortes em 1963, 1964 e 1966, prenúncios da maior de todas. No dia seguinte, a Folha afirmava que os cafeicultores estavam de luto, mas os órfãos, a história mostra isso, eram a população do Norte, em especial os colonos, os pequenos proprietários, os comerciantes, as cidades, todos aqueles que se relacionavam direta ou indiretamente com a cafeicultura. Foram todos atingidos em seu modo e no seu estilo de vida, tivemos de reaprender a viver. Com as lavouras destruídas era preciso recuperar os prejuízos. As terras eram caras, precisavam continuar lucrativas, plantou-se soja, trigo e milho, principalmente. A mão-de-obra necessária era a mínima possível para as novas atividades. As colônias das fazendas começaram a se desfazer, os não proprietários passaram a se fixar nas cidades da região, muitos viraram bóias-frias. Londrina era sempre a melhor opção, surgiram bairros imensos, grandes conjuntos habitacionais como o “Cincão”. Outros foram para Curitiba e São Paulo. Próximo a Campinas, existem bairros inteiros habitados por gente que se orgulha e chora de saudade, por ser do Paraná. Para aqueles que já eram proprietários, optaram em vender o que possuíam e comprar novas terras em regiões livres do frio, assim hordas de paranaenses rumaram a Mato Grosso, Rondônia e Acre. Rapidamente Rondônia virou um Estado. Mato Grosso virou dois, no do norte estão muitos dos nossos antigos vizinhos. Dizem que foi o maior fluxo migratório em tempos de paz, o êxodo rural norte-paranaense retirou do Estado quase 2,5 milhões de pessoas na década de setenta e 1,6 milhão na década de 1980, segundo dados do IBGE. Não é surpresa, cidades da região perderem lugar no ranking das mais populosas da região Sul. Talvez tenha sido a Geada Negra de 1975, o maior golpe da história na economia e na sociedade do Paraná, um acontecimento que precisa ser estudado, explicadas as suas conseqüências. Buscamos, tateando, ainda hoje uma nova identidade econômica. Pessoalmente acredito que a solução de nossa economia e a construção de nossa riqueza se encontra na terra, em novas culturas e atividades, com a industrialização derivando, também, dessas atividades”.                                                                                                                                                                        Prof. Roberto Bondarik  de Cornélio Procópio, Paraná, Brazil, que é Professor de História e pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Cornélio Procópio.


Até onde chegou o frio no Brasil:
Dados do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) apontam que na mesma época, uma seqüência assustadora de geadas ocorreu em toda a Região Sul, além dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, e até no sul e oeste de Mato Grosso e sul de Rondônia. A potente onda de ar frio de 1975 atravessou completamente a linha do Equador levando queda de temperatura em Estados como Amazonas e Roraima.
                                                 

   

6 comentários:

Danilo Dolci disse...

Muito interessante essa narrativa, não tinha a menor ideia disto. É impressionante como a história e a geografia podem explicar a evolução ou queda de determinada região.

Lilia disse...

é verdade Danilo, muitas geadas fortes atingiram a região. mais brandas do que a negra e todas prejudicaram muito o cafezal. abraço.

Anônimo disse...

marisa prado lalli disse:
nessa época moravámos em apiaí,vale do ribeira,a marcela tinha 11 meses, e pela primeira vez na vida eu e caetano, vimos neve pois cobriu a cidade, ficou linda parecia cartão postal, infelizmente não pudemos ter fotos,temos amigos lá,qdo tiver oportunidade de voltar lá, vou tentar conseguir.

03/11/2012 13:30

Lilia disse...

Oi Marisa, obrigada pela participação. Qdo conseguir as fotos, envie. abço

jose A.Brandini disse...

Não gosto nem de lembrar desta época eu morava na região de jales e o cafezal do sitio de meu pai ficou todo preto parecendo que passou fogo , cortamos pelo meio e com a brota dai dois anos é que tivemos uma colheita do mesmo. Para sobrevivermos plantamos duas carreira de arroz em cada rua do café em um ano e no outro ano plantamos duas carreira de amendoim essas colheitas mais umas vaquinhas de leite foi a nossa sobrevivencia na época,depois de alguns anos o café se acabou, isto porque com a poda pelo meio muitos galhos apodreceram devido a infiltração da água da chuva na madeira e a lavoura foi se acabando aos poucos hoje em dia nem existe mais café na região.

Lilia disse...

Olá José A. Brandini, obrigada pelo contato e pelas interessantes observações sobre como a sua família enfrentou o problema. Apareça mais vezes. Abço