Nossos Cinemas



Nossos Cinemas


O CINEMA


Caso alguém pergunte, num futuro distante, qual terá sido o meio de expressão de maior impacto da era moderna, a resposta será, sem sombra de dúvidas, quase unânime: o cinematógrafo.                                                       Inventado em 1895 pelos irmãos Lumière para fins científicos, o cinema revelou-se peça fundamental do imaginário coletivo do século XX, seja como fonte de entretenimento ou de divulgação cultural de todos os povos do globo.

Por que desapareceram os cinemas de rua
Faltou a intervenção do poder público, que não teve a visão necessária com relação à importância do cinema na cultura do povo, do país, da nação. O cinema foi invadido pela televisão, filme na TV e depois na TV a cabo. Em todo Brasil, maciçamente, as salas de projeção de frente de rua viraram templos, supermercados ou estão à espera de atividade diversa da original. No interior de São Paulo, só subsistiram os cinemas em cidades maiores, mas, nas cidades pequenas, há solução possível com vontade política, utilizando-se o cinema digital. Neste, os filmes são produzidos ou reproduzidos em disco rígido de computador e se utiliza também projetores digitais, sendo possível montar uma sala de espetáculos com uns 50 mil reais. Como a exibição é feita a partir dos discos rígidos, fica eliminado o celuloide, que era o grande fator de encarecimento dos espetáculos.
O cinema era uma forma de socialização. O cinema de rua era o programa em si, era sair de casa para ir ao cinema, frequentar o templo da imagem, o templo do cinema. As pessoas se preparavam, se organizavam, iam acompanhadas, tinham uma socialização que o shopping não promove. É uma perda enorme em termos culturais.
A decadência começou na década de 70, por diversos motivos: a chegada da televisão, do VHS e, principalmente, o crescimento da metrópole, que traz consigo problemas sociais e um inchaço populacional que as grandes salas não puderam suportar. É uma fatalidade que aconteceu no Brasil e em boa parte do planeta, com a especulação imobiliária, os problemas sociais que os centros das grandes cidades carregam: o problema de frequência, da violência etc. E também pela dimensão das antigas salas de cinema. Hoje, no mundo inteiro, a quantidade de filmes lançados está em torno de mil por ano. Uma grande sala de cinema não dá giro aos títulos que são lançados anualmente, de modo em que elas deveriam ter sido transformadas em múltiplas pequenas salas.
Números da Ancine demonstram que, na década de 70, quando tínhamos muitas salas de cinema e quase a totalidade delas em cinemas de rua, os filmes nacionais que ultrapassavam a marca de 2 milhões de espectadores girava entre três a quatro por ano. Durante a década de 90, este número baixou para menos de um por ano, e só voltou a aumentar na década de 2000.
Pesquisa do Datafolha demonstra que 56% dos entrevistados avaliam os filmes nacionais de hoje como "ótimos/bons" e 62% acreditam que a qualidade desses filmes melhorou nos últimos anos. No entanto, Pedro também acredita que enquanto a predominância dos shoppings existir, a preferência de exibição continuará sendo para filmes estrangeiros: “O shopping é uma cultura de colonizador. As redes que os operam são redes de capital estrangeiro. Pouquíssimas redes de capital nacional operam em shopping.

O INÍCIO NO BRASIL

Afonso Segreto, junto aos primeiros projetores da Empreza Paschoal Segreto: os irmãos italianos foram os precursores do cinema no Brasil.


A primeira exibição de cinema no Brasil aconteceu em 8 de julho de 1896, no Rio de Janeiro, por iniciativa do exibidor itinerante belga Henri Paillie. Naquela noite, numa sala alugada do Jornal do Commercio, na Rua do Ouvidor, foram projetados oito filmetes de cerca de um minuto cada, com interrupções entre eles e retratando apenas cenas pitorescas do cotidiano de cidades da Europa. Só a elite carioca participou deste fato histórico para o Brasil, pois os ingressos não eram baratos. Um ano depois já existia no Rio uma sala fixa de cinema, o "Salão de Novidades Paris", de Paschoal Segreto.
Os primeiros filmes brasileiros foram rodados entre 1897-1898. Uma "Vista da baia da Guanabara" teria sido filmado pelo cinegrafista italiano Afonso Segreto (irmão de Paschoal) em 19 de junho de 1898, ao chegar da Europa a bordo do navio Brèsil - mas este filme, se realmente existiu, nunca chegou a ser exibido. Ainda assim, desde os anos 1970, 19 de junho é considerado o Dia do Cinema Brasileiro. Hoje em dia, os pesquisadores consideram que os primeiros filmes realizados no Brasil são "Ancoradouro de Pescadores na Baía de Guanabara", "Chegada do trem em Petrópolis", "Bailado de Crianças no Colégio, no Andaraí" e "Uma artista trabalhando no trapézio do Politeama".

Surgimento do som: 1930

Cena de "Acabaram-se os otários" de 1929

O primeiro filme sonoro brasileiro é a comédia "Acabaram-se os otários" (1929), de Luiz de Barros. "Coisas nossas" (1931), de Wallace Downey, é um musical cantado em português, com cantores brasileiros, e de grande sucesso. Na contra-mão, Mário Peixoto realiza "Limite" (1930), filme mudo de pouca aceitação popular, mas hoje considerado um marco do cinema experimental.
No começo dos anos 30, o cinema brasileiro passa por uma rápida fase otimista, já que os "talkies" (filmes falados) de Hollywood têm dificuldades de entrar no mercado brasileiro, por deficiência das salas e pelo problema da língua. Em 1930-1931 são produzidos quase 30 longas de ficção, mas, em função dos custos, a produção volta a se concentrar no Rio e em São Paulo. Surgem no Rio as produtoras Cinédia, de Adhemar Gonzaga, e Brasil Vita Filmes, de Carmen Santos. Humberto Mauro, já o maior diretor de cinema do país, realiza para a Cinédia sua obra-prima "Ganga bruta" (1933) e para a Brasil Vita Filmes o sucesso "Favela dos meus amores" (1935).


Em todas as cidades e, principalmente na pequenas, a população recorda com carinho o cinema local. As matinês, os filmes dos finais de semana, as paqueras, os namoros iniciados, outros terminados, os beijos roubados no escuro...



Em Chavantes, O Cine São José, do sr. Narciso J. Vedovello marcou toda uma geração. Além dos filmes, o prédio foi local dos famosos festivais realizados pelo CENE Dr. Ernesto Fonseca, de saudosa memória.
Antes do Cine São José, a cidade teve outros cinemas, que pertenceram a empresas, como podemos ler nos recortes de jornais antigos. Todos localizados no mesmo local.
A Professora Irene Vedovello comentou que o Cine Bandeirantes, antecessor do São José, era uma construção de alvenaria, pequeno e pouco confortável.
O prédio, em 1949, foi considerado impróprio como você verá na matéria a seguir.

Como surgiu o Cine São José.
Em 1950, era tão precária a situação do prédio onde funcionava o Cine Bandeirantes que, seus dirigentes, realizaram no dia 10 de maio uma reunião com a presença dos acionistas e demais interessados no único cinema da cidade.
O objetivo da reunião foi de mostrar a todos a necessidade da construção de um novo prédio, visto o estado lamentável do atual que foi tempos atrás, condenado pelo Serviço de Fiscalização Sanitária. Além da falta de higiene e total desconforto corre-se ainda o risco de incêndios em suas instalações.

 
Leia a ata da reunião:

Empresa Cine Bandeirantes Ltda.
10 de maio de 1950
Na data de 10 de maio de 1950, reuniram-se no Bar dos Lavradores à rua Cel. Júlio Silva, 25 os acionistas da Empresa Cine Bandeirantes Ltda.
O sr. Narciso J. Vedovello, presidente, mostrou a situação financeira da empresa provando que nas condições do atual prédio do cinema, mesmo com o máximo de economia, o seu movimento financeiro não comporta em resultado para a sociedade. Pediu que fosse nomeada uma comissão para se encarregar de arranjar fundos entre os amigos de Chavantes, para a construção de um novo cinema.
O Dr. Leonel Pereira da Cunha expôs que o atual cinema acha-se funcionando ilegalmente desde maio de 1949, cuja licença fora concedida naquele exercício a título precário, sabendo que uma ordem de fechamento definitivo deve ser aguardada de um momento para outro.
Propôs fosse arranjado um empréstimo entre diversos proprietários, em títulos de Crs.$ 20.000,00, Crs$ 10.000,00 e Crs$ 5.000,00, perfazendo uma quantia necessária para a construção do cinema, orçada em mais de Cr$ 300.000,00 e que as importâncias subscritas fossem entregues diretamente ao sr. Narciso J. Vedovello, que na ocasião forneceria um título da importância recebida, com vencimento em 5 anos, comprometendo-se a pagar juros de 10% ao ano e, ainda, de  construir o prédio de acordo com a planta já aprovada (planta do arquiteto chavantense Adolfo Rubio  Medina) e a dar o mesmo em garantia do empréstimo até o seu resgate final.
A propriedade do cine Bandeirante será do Sr. Narciso Vedovello, que poderá explora-lo como bem entender, afim de fazer face ao compromisso de resgate do empréstimo em 5 anos. Depois desse tempo, e em igualdade de condições, terá toda a preferência o Sr. Narciso sobre a compra das apólices da Empresa Cine Bandeirantes, e que depois de todas resgatadas tratará da dissolvência  desta sociedade.
Foi a seguir relacionados os membros que cuidariam de conseguir o capital necessário: Olegário Bueno, Djalma Fonseca, Mario R. Araujo, Dr. Armando Brito Rodrigues Filho, Dr. Wanor Torres Bitencourt, Antonio Rubio Medina, José Rubio Medina, Francisco Cezario de Campos,  Aureliano Botelho de Souza, Victor Abdalla Macul e Geremias Furlanetto.
Assinaram no ato os seguintes:
Crs$ 10.000,00 ( Dez mil cruzeiros) Dr. Leonel Pereira da Cunha, Mario R. Araujo, Olegario Bueno, Antonio Rubio Medina e José Rubio Medina;
Crs$ 5.000,00 (Cinco mil cruzeiros) Vicente Bertoli,  Geremias Furlanetto,  Aureliano Botelho de Souza e Eloy Chequer.
Secretariou a reunião o Sr. Amando Pinto da Silva

Como era o dinheiro da época?
Veja a nota:

Para completar o valor de Crs$ 10.000,00 eram necessárias 
10 notas como a acima

Fotos do acervo de Irene Sanchez Vedovello







O cinema já fechado.


Cine Theatro Orion:
Em 1924 funcionava em Chavantes, o Cine Theatro Orion.




O Cine Gigi:
O Cine Gigi, pertencia a empresa Santiago Colombo que divulgava diariamente a sua programação.
Foi inaugurado no dia 18 de janeiro de 1934.











 Acima, publicações do jornal O Municipio em 1934 e 1935.

Cine Bandeirantes: 



Cine Bandeirante: Em assembleia geral extraordinária, no ano de 1946, a Empresa Cinematográfica Bandeirante AS, deliberou que fosse aumentado o capital Cr.$ 100.000,00 para Cr$ 200.000,00, a fim de ser adquirido o prédio onde está funcionando atualmente o cinema, para ser demolido e no local construído o novo cinema.
A empresa espera que os cidadãos adquiram ações, de acordo com as suas posses, afim da execução do indispensável melhoramento.
O cinema já possui aparelhamento completo e moderno, que custou a elevada soma se Cr$ 110.000,00.
O que nos falta para ter um dos melhores cinemas da região é um bom prédio, sendo que os filmes exibidos estão entre os melhores.
Os que desejam colaborar, procurem a comissão recentemente nomeada e constituída dos srs.: Vicente Bertoli, Antonio Rubio e Diamantino Costa.

Cine São José: Pertenceu ao Sr. Narciso Vedovello e foi inaugurado em 15 de novembro de 1951.


Lei Rouanet incentiva empresários a abrir salas de cinema em cidades pequenas
10 de Dezembro de 2009 , por Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 8.313/91, que alterou a Rouanet (Lei 11.646), prevendo o incentivo tanto para projetos culturais de acesso gratuito para o público como para sessões pagas.Portanto, a lei estende o benefício da dedução do Imposto de Renda para empresários e pessoas físicas que construírem salas de cinema e teatro em cidades com menos de 100 mil habitantes, como meio de acabar com a concentração de salas de cinema em grandes centros urbanos.
Regras
A Lei Rouanet prevê que o doador ou o patrocinador poderá deduzir, do imposto devido na declaração do IR, 80% do valor destinado ao projeto cultural no caso de pessoas físicas. No caso de pessoa jurídica, a dedução é de 40% do valor referente a doações e 30% se o apoio foi em forma de patrocínio.O valor a ser abatido não pode ultrapassar 4% do valor total do Imposto devido no caso das pessoas jurídicas e 6% no caso das pessoas físicas. Lembrando, também, que os projetos que podem ser patrocinados são aqueles aprovados pela CNIC (Comissão Nacional de Incentivo à Cultura.
Antes, os contribuintes podiam deduzir do IR valor referente a doações a patrocínios somente para projetos de artes cênicas; livros de valor artístico, literário ou humanístico; música erudita e instrumental; exposições de artes visuais; doações de acervos para bibliotecas públicas, museus, arquivos públicos e cinematecas; produção de obras cinematográficas e de vídeo de curta e média metragem; e preservação do patrimônio cultural.



 EM CONSTRUÇÃO

Um comentário:

Lilia disse...

Sou neta do Narciso João Vedovello (sobrinha da Irene). Adorei ler a história do Cine São José. Tenho lembranças de quando criança assistir aos filmes do Mazzaropi no cinema que era praticamente dentro da casa de meus avós (Narciso e Santa)...Obrigada por reavivar tantas lembranças boas!
Att.
Valdeli M. Vedovello